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  • terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

    Memória: Avião da Real faz pouso forçado em Campo Largo no ano de 1966

    Foto de 1966, em Campo Largo, enviada por Renato Hunsdorfer. O pouso forçado de um avião da Real Aerovias. Leia abaixo o relato que ele enviou:
    Uma das maiores lembranças dos moradores de Campo Largo dos anos 60. A queda do avião no banhado do local chamado “ilha”.
    Era o dia 15 de julho de 1966, uma sexta-feira. Na manhã fria partia do “aeródromo Sant’Anna” em Ponta Grossa o avião DOUGLAS C47 – PP-YPT para a sua última viagem, que deveria ainda ter mais uma escala em Curitiba, antes de seguir para São Paulo, seu destino final.




    O PP-YPT, um avião fabricado em 1944 para carregar cargas e paraquedistas na segunda guerra mundial era utilizado pela USAF _ United States Air Force, depois ficou para a ROYAL AIR FORCE, do Reino Unido (United Kingdown) e recebeu o prefixo KG-6671. O modelo C47A-25-DK, um dos primeiros a ter o sistema elétrico de 24 volts e dos quais foram fabricados 5.254 unidades. Veio para o Brasil em 1946 adquirido pela empresa Linhas Aéreas Natal, e  então foi registrado com o prefixo PP-JAA. Em 1948 foi vendido para a Viação Interestadual de Transportes Aéreos, que após uma fusão com a REAL-Transportes Aéreos (Redes Estaduais Aéreas Limitada)e passou a ter registro com o prefixo PP-YPT.  
    A empresa REAL adquiriu as linhas da empresa “Aerovias”, para poder fazer transporte internacional de passageiros. Já nos últimos anos a REAL-Aerovias fazia o interior do Paraná e até Assunção, no Paraguay.
    As viagens aéreas só tinham autorização para serem feitas de dia entre aeroportos que não possuíssem iluminação, o que era raro na época. Cada viagem tinha autonomia para aproximadamente 3 horas. O combustível era armazenado em tanques no interior da fuselagem do avião (corpo do avião). Um tanque para cada um dos motores do modelo R 1830-92. O modelo C47 Skytrain, como era chamado, foi adaptado para carregar cargas e 16 passageiros acomodados confortavelmente em poltronas, e uma tripulação composta por mais 4 pessoas: Um piloto comandante, um copiloto, um telegrafista e um comissário(a). 
    O ULTIMO VOO: Partiu do aeródromo (aeroporto) Sant’Anna em Ponta Grossa pela manhã. O voo diurno deveria durar aproximadamente uma hora e meia, todo realizado com orientação visual. Vinha seguindo o trajeto da Rodovia do Café (BR277). Não havia radares nem mesmo comunicação externa via rádio, nem com Ponta Grossa, nem com Curitiba. Antes de pousar o avião fazia uma volta no entorno do aeroporto, ou mesmo uma passagem sobre a pista, dependendo da posição que soprasse o vento. (Se o piloto pousasse com vento à favor poderia ser punido com uma multa de 3.000 mil cruzeiros). A saída (decolagem) era avisada por telegrafia à Base Aérea Afonso Pena em São José dos Pinhais (meu tio Miguel Hundsdorfer era o telegrafista em Ponta Grossa).
    Uma hora após a partida o telegrafista de bordo relatou a pane no motor direito. O avião seguiu o trajeto da rodovia ciente de que poderia chegar ao destino com apenas um motor em funcionamento. Ao chegar sobre a Serra de São Luiz do Purunã o motor direito parou de funcionar totalmente. Apenas um motor esquerdo passou a ser utilizado à plena potência.  Entrou em superaquecimento. Para chegar a Campo Largo e tentar um pouso de emergência seriam ainda 10 Km em linha reta.
    A proposta seria pousar no asfalto plano entre os km 26 e 25 da Rodovia do Café. Iniciaria em frente ao posto TEXACO e finalizaria em frete à loja POLOVI. Ao realizar o sobrevôo descobriu-se que não seria possível devido à nova linha de transmissão da COPEL. O avião fez todo o trajeto sobre o “asfalto” sem conseguir pousar. Com a hélice “parada”, a tentativa de “arremeter” quase foi frustrada. O avião ganhou altura para sobrevoar algumas casas, mas próximo ao ponto de aterrissagem, as árvores e a possibilidade de bater em algum carro ou caminhão, fez com que o piloto procurasse um local para o pouso de emergência. O segundo motor parou e o avião “planou” por cerca de 400 metros, deslizando pelo banhado por algumas dezenas de metros, no local chamado “Ilha”. 




    O avião foi avistado por muitas pessoas. Após a perda de contato, já que as antenas de telegrafia ficavam na parte inferior do avião, a equipe de socorro da “Base Aérea Afonso Pena”, em São José dos Pinhais, fez contato com os funcionários da “POLOVI”, (Loja de Porcelanas às margens da Rodovia do Café, KM 25) para saber se o avião havia passado por ali. Era comum a pessoa sair de dentro de casa ou dos comércios para ver a passagem de algum avião. Eram barulhentos e voavam com velocidade inferior a 300 Km/h. Um dos vendedores que atendeu ao “telefonema” confirmou que o avião havia passado sobre a pista, com a hélice do motor direito parada e com motor esquerdo “rateando”, e que ele possivelmente havia pousado. E isto realmente havia acontecido.
    Centenas de campolarguenses foram até o local para ver. Para muitos a chance única de ver um avião. Não era possível chegar perto devido à lama. Os passageiros e a tripulação saíram pelas duas portas de emergência que ficavam sobre a asa direita. Não houve nenhum passageiro nem tripulante ferido mesmo com o impacto. Horas mais tarde soldados da aeronáutica chegaram para fazer a segurança do avião. Quando representantes da REAL – Aerovias chegaram, cobriram o nome da empresa e o prefixo do avião com lama, e mais tarde com tinta preta. Após a retirada da aeronave da lama, foi colocado à margem da rodovia e aberto à visitação dos curiosos. Havia uma fila imensa. “Quem teve a oportunidade de ver o interior, conta que as poltronas eram revestidas de um veludo toalhado verde musgo, havia o nome da empresa nos encostos de cabeça e a sensação de estar dentro de um avião era um sonho. Carlos Alfânio, uma testemunha do acidente, conta que viu seu pai em cima da asa do avião e ficou desesperado pensando que o avião o levaria embora. 
    Meu pai veio em casa rapidamente, me apanhou juntamente com minha irmã Rosane Hundsdorfer, e nos levou para ver o avião (lembro como se fosse agora). Perguntem aos mais velhos, todos eles contam esta história que com a ajuda de Cilmara Portela, que me compartilhou a foto, pude pesquisar e contar a vocês.
    O voo foi relatado como pouso de emergência. Apenas agora completei a ficha técnica. O último voo do PP-YPT que apenas os campolarguenses souberam que houve. Não existe registro algum deste acidente, apenas esta narrativa, mas com a foto será passada aos órgãos competentes para que registrem este fato. Hoje há prova material, um acontecimento que sempre foi tratado como “lenda”. Agora Faz parte da “Verdadeira História de Campo Largo” – Por Renato Hundsdorfer
    Via: http://www.jws.com.br/

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